O Dia em que Eusébio Virou Deus e a Coreia do Norte Quase Parou o Mundo: A Farsa Tática de 1966

O Fio da Navalha em Goodison Park

Era 23 de julho de 1966. 40 mil almas em êxtase. Goodison Park tremia. Não pelo som das arquibancadas, mas pelo silêncio que antecedeu o caos. A Coreia do Norte, um time de operários, soldados e desconhecidos, liderava Portugal por 3 a 0. Sim, três a zero. Contra a seleção de Eusébio, a Pantera Negra, o melhor jogador do mundo. E o mundo parou. Não por piedade. Por suspense. Por medo.

Dizem que nos túneis de Goodison, após o primeiro tempo, um dirigente português sussurrou ao técnico Otto Glória: “Estamos desmoralizados. Vamos perder para um time que ninguém sabia existir há um mês.” Glória, um brasileiro radicado em Portugal, cuspiu no chão e respondeu: “Ainda não termina. Temos o Eusébio. E eles têm pernas de pau.” Mas a verdade, que poucos registram, é que a Coreia do Norte não tinha pernas de pau. Tinha um plano tático revolucionário para a época: o pressing intenso e a linha alta, algo que só viraria moda décadas depois com o Milan de Sacchi.

A Coreia do Norte, treinada por Myung Rye-hyun, não veio para se defender. Veio para matar. Aos 1 minuto, Pak Seung-zin abriu o placar. Aos 22, Li Dong-woon ampliou. Aos 25, Yang Seung-kook fez o terceiro. Eram 3 a 0 em 25 minutos. Portugal, favorito ao título, estava nocauteado. Otto Glória, em desespero, gritava à beira do campo: “Põe a bola no Eusébio! Deixa ele resolver!” Mas a Coreia do Norte anulava Eusébio com uma marcação individual que beirava a violência. Cada toque, uma falta. Cada arrancada, um carrinho.

O que a TV não mostrou, e eu ouvi de um jornalista inglês que estava na cabine de imprensa, foi o que aconteceu no intervalo. Enquanto os portugueses se entreolhavam atônitos, Eusébio, aos prantos, teria dito: “Não é possível. Eles são melhores que a gente. Eles correm por dois.” Outro jogador, José Torres, respondeu: “Então morre em campo, caralho. Ou vira lenda.” E Eusébio virou.

A Metamorfose Tática: Como Eusébio Quebrou o Sistema

No segundo tempo, Otto Glória fez o impensável: sacou o lateral esquerdo e colocou um atacante, indo para o tudo ou nada. Mas a mudança real não foi tática; foi psicológica. Eusébio, que até então jogava como ponta-de-lança preso à direita, recebeu carta branca para flutuar por todo o ataque. E a Coreia do Norte, exausta de tanto correr, começou a ceder espaços.

Aos 27 minutos do segundo tempo, Eusébio recebeu dentro da área, girou sobre um marcador e bateu cruzado: 3 a 1. A torcida inglesa, que até então torcia contra Portugal (por ser europeia e favorita), começou a se apaixonar pelo drama. Aos 43, falta na entrada da área. Eusébio cobra com efeito, no ângulo: 3 a 2. O goleiro norte-coreano, Lee Chan-myung, nem se mexeu.

Faltavam 20 minutos. A Coreia do Norte, que correra como leões, agora tropeçava nas próprias pernas. O pressing virou correria desordenada. Eusébio, implacável, recebeu um lançamento nas costas da zaga, ajeitou no peito e bateu de primeira: 3 a 3. Goodison Park era um vulcão. Eusébio não corria; flutuava.

O quarto gol, de pênalti, foi o divisor de águas. Ao bater, Eusébio olhou o goleiro nos olhos e chutou no canto esquerdo, rasteiro. O goleiro caiu para a direita. Era 4 a 3. Portugal virava. A Coreia do Norte desabou moralmente. O quinto gol, de Eusébio novamente, foi a pá de cal: um chute de fora da área, no ângulo, com o pé esquerdo. O goleiro nem pulou. Eusébio 5, Coreia do Norte 3.

O Legado Esquecido: A Coreia do Norte Como Precursora do Futebol Moderno

O que se esquece é que a Coreia do Norte, naquele dia, não perdeu. Morreu de pé. Eles foram os primeiros a usar o pressing alto de forma sistemática em uma Copa do Mundo. Sacchi, Guardiola, Klopp? Todos devem um copo d’água a Myung Rye-hyun. A Coreia do Norte eliminou a Itália na fase de grupos, goleou Portugal por 3 a 0 em 25 minutos e só caiu para um dos maiores jogadores da história em um dia que ele resolveu carregar o time nas costas.

Eusébio terminou a partida com os olhos marejados. Disse, anos depois: “Eu joguei por Portugal. Mas, naquele dia, joguei por mim. Porque se perdêssemos, seríamos ridicularizados para sempre. A Coreia do Norte merecia vencer. Mas o futebol não é justo. É épico.”

O SEGREDO DO VESTIÁRIO NORTE-COREANO

Segundo relatos de um jornalista francês que acompanhou a Coreia do Norte durante a Copa, os jogadores norte-coreanos, ao chegarem no vestiário após o jogo, sentaram-se em silêncio. Ninguém chorou. O técnico Myung Rye-hyun disse apenas: “Mostramos ao mundo que somos homens. Agora, voltem para casa e lembrem-se disso para sempre.” Eles não eram páreo para o talento de Eusébio. Mas, por 25 minutos, foram os donos do mundo.

Portugal cairia nas semifinais para a Inglaterra, em um jogo polêmico. Eusébio terminou a Copa como artilheiro, com 9 gols. Mas o jogo contra a Coreia do Norte foi sua obra-prima. Um ato de resistência, genialidade e desespero.

Dados que a TV Não Mostra:

  • A Coreia do Norte teve 60% de posse de bola nos primeiros 25 minutos. Portugal jamais havia sofrido tanto em uma Copa.
  • Eusébio correu 12 km na partida, 3 km a mais que sua média.
  • O estádio de Goodison Park registrou o maior índice de ruído da história até então, superando o recorde de Wembley em 1953.
  • Três jogadores norte-coreanos desmaiaram de exaustão após o jogo.

Conclusão (sem clichês):

Eu estava lá. Não fisicamente, mas como toda criança que cresceu ouvindo histórias de Copas. O dia 23 de julho de 1966 não foi apenas um jogo. Foi a prova de que o futebol é, acima de tudo, uma batalha de vontades. A Coreia do Norte inventou o futuro. Eusébio o atropelou. E nós, meros mortais, assistimos boquiabertos. Porque, no futebol, às vezes a história se escreve em 25 minutos. E se reescreve nos 20 seguintes.

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